O sistema financeiro global e o mercado de capitais atravessam uma transformação estrutural sem precedentes em sua história contemporânea, caracterizada pela internalização profunda e sistemática de externalidades socioambientais na precificação de ativos, na alocação de capital e na estruturação de passivos corporativos e soberanos. Historicamente fundamentado no binômio de maximização do retorno ajustado ao risco financeiro tradicional, o mercado de capitais expandiu sua fronteira de eficiência para incorporar uma terceira dimensão indissociável e fundamental: o impacto sustentável mensurável. Esta reconfiguração deixou de ser uma inclinação de nicho para tornar-se um imperativo fiduciário e estratégico, impulsionado pela magnitude dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, pela degradação da biodiversidade e pelas assimetrias sociais crônicas, fenômenos que o arcabouço macroprudencial moderno já reconhece como fontes primárias de riscos sistêmicos à estabilidade macroeconômica global.